Água

Eu me afogo. Me jogo de cabeça e me afogo. Eu sei que pode me fazer mal, mas é tão bom. A correnteza é algo que eu não posso controlar. Não sou eu quem decide se está indo ou vindo. Mas é forte e me carrega junto. Me leva para lugares que eu não sei quais são.

Eu bebo dessa fonte. Eu bebo até me sentir preenchido. Até não aguentar mais. Eu sei que se beber demais, pode me fazer mal. Mas eu não me importo. Parece tão inofensivo, tão puro e limpo. Então eu bebo até não poder mais.

Eu divido. Dou um pouco para cada pessoa. Para algumas eu dou mais do que outras. Eu acho que algumas merecem mais do que outras. E recebo de várias pessoas também. E percebo que algumas relutam em me dar um pouco.

Eu pulo num lago. Eu descubro que não sei nadar. Eu me afogo e preciso sair. Depois de um tempo eu pulo novamente. E de novo. E de novo. E de novo. Até que, depois de algumas tentativas, eu descubro que agora posso nadar. Descubro que consigo alcançar o fundo e ficar em pé.

Descubro que consigo e posso enfrentar essa maré. E é tão bom.

Água? – você me pergunta. E eu te dou um sorriso de canto de boca como resposta.

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