Post-it

Ele costumava deixar vários post-its espalhados pela casa. Ele achava fofo e carinhoso. Era um jeito de deixar recados para quem amava. E escrever esses recados compactos fazia o seu dia mais feliz.

“Bom dia, boa tarde, te amo, tenha uma ótima semana, fica bem, boa sorte, boa prova, bom trabalho”.

Algumas pessoas mandam flores. Outras compram presentes. Ainda há quem fale o que sente. E ele colocava seus sentimentos no papel. Papel não, post-it. Seus sentimentos cabiam em folhinhas coloridas, compactadas e eram espalhadas por todo o ambiente, do quarto a garagem.

Mas infelizmente o afeto não era devolvido. E os post-its foram se acabando. Os dias foram passando e a rotina pesando. E os post-its foram acabando. E ele fez questão de deixar um post-it azul para o final. Azul, frio e simples.

Ele não sabia se expressar direito quando falava. Então achou melhor manter a tradição. E naquele último post-it azul estava escrito:

“Nunca vou te amar mais do que amo a mim”.

Tchau.

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